A Água, As Plantas, As Árvores e os Animais

Este ano temos vindo apostar na observação e na manutenção, com vista à melhoria e eficiência dos sistemas. Os poucos dias de chuva que tivemos permitiram atingirmos a cota máxima do nosso pequeno sistema de captura de água, mas já tratámos de canalizar o excedente para a vala de infiltração / lago natural de forma a optimizar a captura e retenção nos locais desejados. Na horta temos conseguido estender a estação em alguns produtos e ao mesmo tempo estamos a preparar o solo para as novas culturas de inverno que ainda temos por introduzir. A Vedação no galinheiro teve direito a um pequeno upgrade de forma a podermos produzir mais perto da mesma sem correr o risco das nossas meninas se alambazarem ao que lá temos plantado. O solo está mais rico, as plantas mais fortes e as árvores a crescerem a olhos vistos. Os animais também procuram o nosso espaço e vemos diariamente o resultado nas interações dos gatos com os ratos, os sapos com as lesmas e os caracóis, as aranhas com os insectos, as borboletas e as lagartas que as antecederam a trabalharem em conjunto com todos os outros polinizadores garantindo novos ciclos. Todos passam por cá e deixam os seus contributos para o equilíbrio do sistema.

Podas de Árvores, Arbustos e Canas para Nutrir o Solo

As queimadas são técnicas antiquadas que desperdiçam nutrientes que o solo tanto necessita. Infelizmente no Oeste nesta altura do ano, não se consegue andar na rua sem se ver algumas colunas de fumo e sem se sentir cheiro a queimado. Aqui no projecto, damos o exemplo e mostramos como se deve fazer para nos livrarmos de um volume indesejado de matéria orgânica, transformando-a rapidamente em estilha, favorecendo o processo de nutrição do solo tanto nos canteiros de produção alimentar, como nos próprios caminhos, nos espaços limítrofes da vala de infiltração ou no sistema de tratamento de águas cinza. A única coisa que queimamos, são as sementes das canas para evitar a sua proliferação, mas no processo e juntamente com lenha de maiores dimensões geramos calor, que alimenta o sistema de água dos banhos e no final ainda ficamos com cinzas que podemos transformar em lixívia, utilizar como cobertura nas sanitas secas ou espalhar no compostor. Nesta altura do ano a salamandra e a bailarina já entraram em acção e como começa a ser habitual recorrermos a estes sistemas, hoje iniciámos a devida manutenção e limpeza das tubagens de extração de fumo.

Composto de Humanure e o Nosso Trigo Barbela

Recentemente desmontámos um dos compostores itinerantes, que estava no fim do processo de maturação para termos disponível matéria para aplicar nos canteiros a serem refeitos em breve na horta de inverno. A natureza com a nossa ajuda e em apenas ano e meio, transforma cerca de 6 meses das nossas necessidades numa considerável quantidade de composto, que está agora preparado para incorporar os nossos canteiros de produção alimentar. Há mais 6 anos que temos este processo a funcionar perfeitamente e sem dúvida o destino final das necessidades humanas, não é na água, nos rios ou no mar, mas sim no solo. Aproveitando esta matéria, tratámos de preparar um novo canteiro onde semeámos trigo barbela já com o processo de germinação activo para mais facilmente enraizar. Foi semeado no referido composto de humanure húmido bem curtido e coberto com palha velha que veio também do compostor! Na próxima primavera esperamos colher o nosso primeiro trigo “morto-vivo” totalmente biológico. Esta á a nossa primeira experiência com um trigo quase extinto, que já se deixou de produzir várias vezes, daí se dizer que está morto ou está vivo (morto-vivo). É um cereal português muito antigo, não modificado, e com um nível muito baixo de gluten, que dá uma palha maior e melhor que o trigo convencional. Aparentemente ele não precisa de grandes cuidados e diz-se que é mto resistente a condições difíceis, daí tb ser o melhor trigo que podemos reproduzir e comer, pois está tb completamente adaptado ao nosso clima e solo e por conseguinte, a nós! Só se produz em muito pequena escala por muito poucos agricultores. Está morto na generalidade, pois pelo que há registo existe apenas um produtor no Ribatejo, outros em Trás-os-montes e um na Lourinhã. Mas na nossa zona e á nossa escala, esperamos que se mantenha bem vivo e que tenhamos sementes para disponibilizar aos nossos apoiantes no próximo ano!

Novos Itens Ecológicos Disponíveis

Há quase vinte dias que não conseguíamos parar para actualizar o blog. Têm sido tantas as coisas que temos tido para fazer, que temos utilizado maioritariamente as redes sociais para comunicar mais rapidamente o que andamos a tramar. Este mês estamos a preparar e a finalizar vários items ecológicos a pensar já na próxima época natalícia dos nossos apoiantes. Vamos ter sabonetes, bálsamos medicinais e velas como habitual, mas destacamos as recentemente disponíveis sementes de milho bio, para quem desejar manter estas variedades tradicionais vivas e ainda, uma novidade que só quem nos visitou, teve a oportunidade de experimentar. Refiro-me ao nosso elixir de Hortelã Pimenta, que estará pela primeira vez disponível para entrega em mão, aos nossos apoiantes mais próximos. É um verdadeiro néctar dos deuses, que neste caso, conta com uma base espirituosa e uma única planta medicinal, sem corantes, conservantes ou óleos essenciais adicionados. Ao ser ingerido acalma a alma e o espírito! Quanto ás propriedades da hortelã-pimenta, podemos destacar a diminuição de espasmos do estômago, a melhoria da circulação sanguínea, as propriedades antibacterianas e antivirais, digestivas, descongestionantes e anti-inflamatória. É também antioxidante, analgésica, tônica, desinfetante, anticonvulsiva, estimula a produção da bílis e é redutora da produção de gases! Estejam atentos á nossa página de facebook pois estamos já a anunciar a disponibilidade de alguns itens. Façam já as vossas reservas! Até já! 😉

As últimas duas semanas

Estão sempre muitas coisas a acontecer por aqui, e estas duas semanas foram preenchidas com várias actividades de manutenção do espaço, restauros electrónicos e informáticos, algumas celebrações e muito trabalho no exterior. Como forma de transformarmos problemas em oportunidades e ajudarmos o solo na sua regeneração, desbastámos dois dos nossos eucaliptos para lenha e fizemos trituração de ramos e folhas para cobertura de solo. Num sistema de policultura de espécies integradas também com eucaliptos, podemos criar rapidamente matéria vegetal, rica carbono, água e os demais nutrientes que irão ser depositados no solo para acelerar os processos regenerativos. Muitos olham para o eucalipto como um problema, mas na realidade o problema não é esta árvore, o problema não são as alterações climáticas e o problema não são os fogos. O problema é o afastamento do soberano mundo natural , uma má gestão do território e dos recursos associada à corrupção de pessoas e valores, para através de várias práticas danosas para o meio ambiente como a aplicação de fitofármacos e as explorações intensivas em monocultura, dar alimento à ganância dos “donos do mundo” em nome de um crescimento económico ilimitado. Felizmente a natureza não precisa de ser salva, nós é que precisamos de ser salvos, principalmente de nós próprios e da nossa ignorância.

Como forma de melhorarmos anualmente o nosso banco de sementes e por conseguinte, a nossa segurança alimentar, já contamos com diversas sementes, de onde destacamos com orgulho o nosso milho bio de terceira geração, ou seja o mini crioulo, mas também os nossos próprios híbridos que surgiram este ano. Já os debulhámos e secámos e estamos a proceder ao processo de armazenamento. Em breve teremos saquetas de sementes disponíveis para quem desejar investir no nosso projecto, ao mesmo tempo que tem a oportunidade de manter viva uma semente verdadeiramente biológica e natural.

Depois da manutenção bi-anual da zona de saída de águas cinza, instalámos recentemente a nova caleira na oficina móvel e procedemos a uma limpeza no interior da charca/zona de infiltração, que está agora pronta, para ser um novo ponto de retenção e infiltração de água. Aqui iremos receber preciosas centenas de litros de água da chuva, através deste segundo sistema de captura.

No espaço dos animais, removemos e preparámos a matéria que cobria o solo para integrar o recipiente de compostagem. Procedemos ainda ao corte e poda de ramos e folhas indesejadas e separámos ainda a palha do chá principe, dividindo os rebentos novos para os podermos propagar! A nossa menina também esteve muito empenhada a separar folhas de eucalipto para fazermos novos produtos!

Este mês comemoramos o sétimo ano vivencial do projecto Permabio. Fez este mês de Setembro, 7 anos, que ainda sozinho iniciei o projecto efectivo, avançando com planeamento do abrigo que permitiria dar início a esta grande aventura. Pelo caminho cruzei-me com algumas pessoas cruciais e com uma companheira à altura, o que nos permitiu iniciar duas vezes a construção de um espaço que poderíamos sentir ser a nossa casa. Há 4 anos, migrámos para o espaço actual, onde entre muitas coisas boas, fomos pais de uma linda menina que veio adicionar preocupações e desafios, mas também muita riqueza e felicidade. Para quem segue o nosso trabalho, sabe que têm sido anos de esforço, trabalho e sacrifício, com algumas pedras pelo caminho, mas sem nunca perder o foco. Sem dúvida, sentimos que estamos no caminho certo e sabemos para onde queremos caminhar. É desta forma que queremos viver, por isso celebremos. Celebremos todas as conquistas e projectemos todas as outras que estão por vir. Obrigado também a todos os que têm contribuído para a nossa evolução como pessoas e para a regeneração deste espaço natural que não nos servirá tanto, mas sim à futura geração! 

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